sexta-feira, 12 de novembro de 2010

SER MODELOS DE VIDA


Muitas vezes criticamos a corrupção reinante e nos revoltamos cada vez que “tudo acaba em pizza”.

Achamos que só político não é honesto, mas não paramos para pensar que essas pessoas são indivíduos da nossa sociedade, que saíram do nosso meio.

Não nos damos conta que tal vez também nós tenhamos atitudes não tão honestas, mesmo que sejam em menor escala.

A retidão de vida não se mede só pelo tamanho, senão também pela qualidade. É tão ladrão quem rouba um milhão de reais, como quem rouba um real.

Não damos importância a pequenas trapaças para conseguir o que queremos. Vamo-nos acostumando com o “jeitinho”, e é essa atitude que passamos para quem nos rodeia, principalmente para nossos filhos.

Será que esse é o modelo de vida que queremos passar para eles? Se um dia nossos filhos chegam à Presidência da República, será que levaram de nós um modelo de vida honesto?

O texto de um antigo folheto parece ter sido escrito para nossos dias:




A ESPERTEZA

Passava por uma esquina da feira quando viu umas vassouras pequeninas, de bom tamanho para mil utilidades. Resolveu perguntar o preço. Compraria uma se o pouco dinheiro que lhe restava fosse suficiente.

-         São cem cruzeiros, dona, só cem cruzeiros.
Surpreendida, achando muito barato, apanhou uma nota de cem e comprou a vassourinha. Já se afastava quando o homem gritou:
-         Dona! Volte aqui! A senhora me deu duas notas de cem coladas uma na outra.
Agradecendo a devolução elogiou a honestidade do vendedor pois jamais teria percebido o engano. E ele respondeu:
-         Não precisa agradecer, não senhora. Eu sou assim, só fico com o que é meu. EU NÃO SOU ESPERTO.

Por primeira vez na vida ouviu alguém colocar a esperteza em seu devido lugar, isto é, junto com a trapaça, o logro, a traição, o furto. O comum é ela ficar muito bem colocada entre qualidades como inteligência, sagacidade, perspicácia, “finura”...
“Ué! Ganha pouco, como é que tem carro e apartamento de luxo? Ele é muito esperto!”
“O mundo é dos espertos”, é frase corriqueira, pronunciada com admiração, e até com uma ponta de inveja, por aqueles que não ousam uma esperteza. Vamos nos acomodando a esta opinião quase sem raciocinar, sem procurar enxergar o que significa, apagando o nosso desagrado ao que não é justo, não é honesto, não é bom, e se oculta sob esta palavra travessa, simpática: esperteza.
O vendedor da feira, um homem simples, pobre, tem a riqueza de um caráter firme. Ele não cede ao que é fácil, não se deixa corromper, sabe ser íntegro. É realmente “autêntico”, para usarmos uma dessas palavras que tanto se prestam a “espertezas”.
Seria bem melhor este nosso mundo se houvesse mais gente igual a ele. Mais gente capaz de dizer “eu só fico com o que é meu”. E ficar.

M. S. (extraído do folheto “Encontro”)
(ao repassar cite autor e fonte)


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